sábado, 5 de julho de 2014

MEL - Adurão, Pampinhosa da Serra

Neste fim de semana fomos ajudar o avô do David na apicultura. Tivemos que ir de véspera porque a apanha do mel começa muito cedo, quando as abelhas ainda estão a dormir... lá por volta das 5h30 da manhã.

Para chegarmos a Adurão, vindos de Lisboa, tivemos que nos meter pela A23, se queríamos demorar o mínimo tempo possível. Bem, que tormento de auto-estrada. A estrada, para AE, está muito má, já para não falar que o pagamento é por pórticos!! A ver vamos se desta vez não me esqueço de ir pagar a conta aos Correios! Já a chegar ao Fundão, ainda na AE, ficou na nossa memória o Túnel da Gardunha, pela sua imensidão de metros. Um bonito túnel.

Pela primeira vez na minha vida, passei no Fundão. Pareceu-me uma cidade bem moderna, com bons acessos e muito limpa. Ficou a vontade de lá voltar para parar e passear.

Chegados a Adurão, por volta das 21h30, jantámos uma divina refeição: perna de perú assada no forno pela avó do David. Não sei o segredo, mas fica sempre muito apetitosa!

Após dormirmos umas 4 horinhas lá fomos ver das colmeias e todos vestidos a rigor (com fato completo, luvas e botas de cano), à excepção do avô do David que só leva uma protecção muito arcaica para a cabeça e que morre de pena cada vez que uma abelhinha o pica, porque isso significa que ela vai morrer.



Aqui a produção de mel é feita em cortiços, ao invés das já habituais colmeias de alças. Tem que se ter cuidado para não retirar o mel, pois não queremos que as abelhas fiquem sem o seu alimento. Também temos que ter cuidado para não cair, não nos podemos esquecer que estamos numa serra e que os caminhos das encostas são mínimos, e por vezes nem existem! Ah e claro está, também é bom que não levemos nenhuma ferroada, mas a ter que ser, que seja de abelha, que dói menos!

Para tirar o mel são necessárias pelo menos 4 pessoas e o avô do David. Este ano esta foi a equipa: o avô do David para verificar quais os cortiços que estavam prontos, o David para dar o fumo, o pai do David para retirar o mel dos cortiços, uma irmã do avô do David para ir segurando nos recipientes do mel, eu para ir fazendo as trocas de recipientes e a tia do David para ir retirando algumas abelhas dos favos que já se encontravam nos recipientes cheios.

Como em todos os anos há sempre as mesmas histórias que se contam e algumas picadinhas à mistura.

Finda esta parte, levamos os favos para casa, onde vamos tratar deles até se conseguir o mel pronto a comer.

Primeiro passam-se os favos pela prensa, muito bem aproveitados. Temos que colocar os favos com cuidado no interior da prensa por dois motivos: para que não caia nenhum favo para o chão e para que nenhuma abelha nos ferre.









Os favos reservam-se num bidon alto, para mais tarde se fazer a aguardente de mel (este processo ainda não conheço).



 
O que resulta da prensagem ainda vem com muitos resíduos orgânicos. Alguns pedaços dos favos, algumas abelhas, alguma ervinha que tenha caído lá para dentro, pelo que se deve então passar por vários filtros, a fim de se retirar o máximo de resíduos.



Daqui reserva-se o mel, em recipientes grandes, e de vez em quando nos dias seguintes, deve-se retirar uma película de resíduos que vem ao de cima.

E posto isto, o mel está pronto para ser consumido e é colocado em pequenos potes de vidro. O mel não apanha bolor, pelo que se aguenta durante bastante tempo.

Este trabalho todo só nos ocupou uma manhã, pelo que cedo começámos a tratar do almoço. Sardinhas grelhadas para todos e salmão para mim! A acompanhar, batata cozida, uma vinhaça fresquinha e um melão para sobremesa.





Após o almoço regressámos a Lisboa, mas não fizemos o mesmo percurso. Viemos por estradas nacionais até Santarém, um percurso muito mais agradável. Ao descer a serra passámos por várias pontes com paisagens maravilhosas!

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